Unipoema: Espaço onde é possível pensar os sentimentos e sentir os pensamentos
O Universo expande-se para criar o Unipoema...
Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011
A complementaridade pode ser regenerada...
Num qualquer tipo de querela, tenta-se, habitualmente, encontrar argumentos que ataquem a forma de pensar do outro, enquanto se defende a própria (e limitada) opinião. No fundo, é um jogo de culpa, esperando-se que quem saia vencido aceite, para si, a totalidade dos corrosivos sentimentos jogados, mas tal desfecho, por norma, não acontece. De facto, nesse quadro, a culpa tende a ser, pelo menos, minimamente partilhada, apesar de nem sempre estar evidente, dado que poderá estar escondida no recipiente de ansiedade que cada jogador culpabilizante invariavelmente utiliza.
Por conseguinte, a estratégia mais inteligente é abdicar desse tipo de disputa destrutiva, optando pelo tipo de jogo relacional de cooperação, mediante um encontro inicial de consenso de pontos comuns entre os elementos relacionais, sendo esses alicerces básicos para que se actualize o potencial expansivo decorrente de uma aliança de diferenças. Neste processo, a raiva, revolta e ressentimento (expressões de culpa projectada) são, realmente, transformados em aceitação tranquila através de uma consistente iniciativa interior de compreensão da perspectiva do outro, passando-se, assim, de posturas separadoras e fragilizantes do "Eu" e "Tu" para atitudes efectivas de fortalecimento dos compostos do "Nós"...
Por conseguinte, a estratégia mais inteligente é abdicar desse tipo de disputa destrutiva, optando pelo tipo de jogo relacional de cooperação, mediante um encontro inicial de consenso de pontos comuns entre os elementos relacionais, sendo esses alicerces básicos para que se actualize o potencial expansivo decorrente de uma aliança de diferenças. Neste processo, a raiva, revolta e ressentimento (expressões de culpa projectada) são, realmente, transformados em aceitação tranquila através de uma consistente iniciativa interior de compreensão da perspectiva do outro, passando-se, assim, de posturas separadoras e fragilizantes do "Eu" e "Tu" para atitudes efectivas de fortalecimento dos compostos do "Nós"...
Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011
O poder exercido sobre o Outro revela a fragilidade do Eu
Muitas pessoas sentem-se orgulhosas e, aparentemente, auto-valorizadas em situações de imposição de poder sobre os outros, sem terem em consideração as suas autênticas necessidades.
No entanto, o exercício de tal poder, de natureza autocrática, manifesta, desde logo, uma desconsideração e desprezo básicos sobre o outro, que se fundam em reais sentimentos de auto-desvalorização.
Esse sofrimento, em vez de ser pensado e compreendido, é negado e projectado, ilusoriamente, para fora de si. Realce-se que esta forma de lidar com a dor emocional não permite uma resolução da problemática de inferioridade; antes pelo contrário: as pessoas que escolhem essas atitudes, de forma continuada, sentem-se, progressivamente, mais frágeis e esvaziadas de si mesmas, dada a projecção realizada.
A solução correctiva, desta típica forma de actuar, passa por viver relações baseadas no respeito e gosto pelas diferenças humanas. Mas, quando tais experiências não se verificaram, suficientemente, ao longo da história de vida de determinada pessoa, a adesão a uma relação psicoterapêutica é a via possibilitante para a reparação da identidade fragilizada, para a qual será fundamental a particular postura do psicoterapeuta, designadamente a que foi defendida por Carl Rogers, ao nível da aceitação incondicional do outro e na crença inabalável no potencial, sempre presente, de desenvolvimento humano.
No entanto, o exercício de tal poder, de natureza autocrática, manifesta, desde logo, uma desconsideração e desprezo básicos sobre o outro, que se fundam em reais sentimentos de auto-desvalorização.
Esse sofrimento, em vez de ser pensado e compreendido, é negado e projectado, ilusoriamente, para fora de si. Realce-se que esta forma de lidar com a dor emocional não permite uma resolução da problemática de inferioridade; antes pelo contrário: as pessoas que escolhem essas atitudes, de forma continuada, sentem-se, progressivamente, mais frágeis e esvaziadas de si mesmas, dada a projecção realizada.
A solução correctiva, desta típica forma de actuar, passa por viver relações baseadas no respeito e gosto pelas diferenças humanas. Mas, quando tais experiências não se verificaram, suficientemente, ao longo da história de vida de determinada pessoa, a adesão a uma relação psicoterapêutica é a via possibilitante para a reparação da identidade fragilizada, para a qual será fundamental a particular postura do psicoterapeuta, designadamente a que foi defendida por Carl Rogers, ao nível da aceitação incondicional do outro e na crença inabalável no potencial, sempre presente, de desenvolvimento humano.
Sexta-feira, 29 de Julho de 2011
Quarta-feira, 27 de Julho de 2011
Autonomia e dependência
As pessoas inseguras das suas capacidades e competências, no exercício de funções cuidadoras ou de simbologia parental, tendem, de modo a sentirem-se valorizadas e apoiadas, a promover um controle e dependência extremos nos outros.
Não se consegue promover a autonomia e desenvolvimento identitário de alguém, se o agente facilitador desse processo não for, ele próprio, suficientemente autónomo e revelador de uma identidade bem definida, assentes numa valorização de si e confiança adequadas às suas efectivas competências de responsabilidade, que foram experienciadas, desenvolvidas e validadas pela prática relacional.
Quem não possui ainda tais características, e precisa, forçosamente, de assumir funções de responsabilidade face aos outros, deve reconhecer e assumir o ponto de desenvolvimento em que está, procurando evoluir em termos identitários e relacionais, através de uma relação especializada para fins de desenvolvimento pessoal/psicoterapêutico, e procurando, simultaneamente, no seu quotidiano, o apoio de alguém habilitado para o desempenho de tais funções.
Domingo, 24 de Julho de 2011
A excessiva auto-centração
Infelizmente, a humanidade é ainda caracterizada, em grande medida, por sentimentos e atitudes gerais de excessivo narcisismo.
Tal deriva de um pensamento colectivo - para o qual uma massa crítica de pessoas contribui ou, pelo menos, aceita - que ainda valoriza a máxima da selecção natural aplicada às relações humanas: «vencer» os outros, para poder sobreviver e atingir a felicidade. Todavia, a lei da selva não deve ser aplicada a indivíduos com inteligência, supostamente, superior, porque o «sucesso» de poucos, não pode basear-se, naturalmente, em genuínos sentimentos de bem-estar, porque implica um esforço contínuo de negação do mal-estar geral dos que os rodeiam e o efeito emocional, essencialmente de culpa, que tal constatação da realidade induz. Para além disso, existe sempre um sentimento de insegurança inerente a um estado de aparente superioridade. De facto, se poucos têm o que muitos desejam, alguns, certamente, tentarão conquistar esses «tesouros» minoritários. A tensão e o conflito excessivos nascem de relações humanas em que uns são demasiado privilegiados e outros são, essencialmente, desgraçados.
O narcisismo geral vigente nas sociedades ditas «modernas» (esta modernidade é, essencialmente, uma primitiva forma selvagem de viver, relacionalmente, sob a lei da selecção natural), apresenta-se, realmente, como uma forma de expressão humana errada e perniciosa para todos, uma vez que, desse modo, a vivência geral é inevitavelmente infeliz, e aqueles poucos que se julgam, ilusoriamente, felizes terão que suportar viver num mundo que lhes transmite, sobretudo, infelicidade e incompreensão. Caso se persista neste status quo, para diminuir os desagradáveis efeitos secundários, a minoria reinante precisará, certamente, isolar-se cada vez mais, ao estilo dos gauleses nas histórias de Astérix e Obélix, e consumir quotidianamente uma espécie de poção mágica, que não induz uma real força e poder, mas tão somente uma negação, ou seja, uma selecção, artificial e distorcida, do que sentem do mundo, fechando-se cada vez mais sobre si próprios até que esse investimento contínuo de auto-centração, levado ao extremo, provoque, inelutavelmente, uma implosão psíquica num restrito e impermeável espaço identitário.
Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
As relações perduram, mas estão sujeitas à transformação
O ser humano apresenta a particularidade de sofrer com processos de luto: mudanças consistentes a nível relacional, que podem ser sentidas de forma mais ou menos intensa e definitiva, consoante o tipo de luto de que se trata.
É importante ter consciência que o luto não é um processo de esquecimento, ao nível de um fenómeno de amnésia parcial ou total de uma relação vivida. Antes pelo contrário: um processo de luto bem sucedido requer a consciência clara do que foi vivido e da forma como essa relação se transformou, e continua a transformar-se. De facto, a sensação de perda, muitas vezes difícil e especialmente dolorosa, associada a um processo de luto, não deve ser experienciada, ilusoriamente, como uma destruição ou impossibilidade de vir a aceder a determinados conteúdos mentais e emocionais, mas sim vivida mediante a compreensão de um processo transformacional em curso dessa relação específica.
Importa salientar que, mesmo nos casos mais intensos de processo de luto, quer seja por uma ruptura relacional significativa, associada a uma escolha de um ou ambos os intervenientes dessa relação, ou mesmo por motivo de falecimento de alguém especialmente relevante para a pessoa enlutada, a relação, em si, nunca é eliminada, mas sim sujeita a uma transformação que a nova dinâmica interactiva solicita: de forma essencial e profunda, implica uma modificação da forma como o Eu se expressa, interiormente, face às memórias relacionais inerentes ao luto. Os resultados contínuos deste processo interno manifestam-se na forma como vai sendo modificada essa particular relação ao nivel externo, no domínio da realidade interpessoal e/ou face a símbolos que evoquem tal relação significativa.
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